O boom de clubes federados pós 2004.

 

    De 1964 (ano que o futebol oficial do Amazonas tornou-se profissional) a 2004 - um período de 40 anos - 13 clubes fizeram parte do Campeonato Amazonense. Os 7 clubes que participaram do torneio de 1964 já vinham com largo histórico na competição estadual: Nacional e Rio Negro estrearam em 1914, na 1ª edição; O Fast Clube ingressou na elite em 1932; O Olímpico ingressou em 1939 e o América em 1946; por fim, os rivais São Raimundo e Sul América, ingressaram em 1956 e 1950, respectivamente. 

    Depois houve ingressos pontuais de clubes vindos do amadorismo, seja do futebol de Manaus ou do Interior:
* A Rodoviária já tinha um histórico na 2ª Divisão, que depois virou o Campeonato Amazonense de Amadores. Ingressou no profissionalismo e fez bonito, com o vice de 71 e o título de 73, este último batendo o favorito Rio Negro. A Rodoviária foi fundada por funcionário do Departamento de Estradas e Rodagem do Amazonas (DER-AM), e tinha considerável investimento.
* O Libermorro ingressou em 1977 depois de um histórico razoável no Campeonato de Amadores. Entrou porque Rio Negro e Rodoviária pediram licença, e conforme uma regra do antigo Conselho Nacional de Desportos, um torneio oficial só poderia ser realizado com no mínimo 6 clubes.
* Num esforço de interiorizar o Campeonato, a FAF convidou representantes de dois municípios ligados a Manaus por rodovia, que eram Humaitá e Itacoatiara. Assim, ingressaram Olaria e Penarol, clubes com grande histórico no futebol amador citadino. Os dirigentes do Olaria tinham ligação com a Rodoviária. Alguns anos depois, Manacapuru seguiu o mesmo caminho, com o também tradicional dos torneios citadinos Princesa do Solimões.
* O Clíper fez 3 participações no Estadual ainda na fase amadora, nos anos 50 (57 a 59). Depois passou a fazer parte da Segunda Divisão, e na continuação dela, o Campeonato de Amadores. Conquistou larga tradição no seu nível. Nos anos 90, após se tornar uma força na base local, com o apoio de um empresário, voltou ao estadual, agora profissional.


Nos últimos 20 anos 16 clubes se federaram e ingressaram no futebol profissional, e chegaram à Primeira Divisão baré. Um verdadeiro "boom" que pode ter dois momentos, com exceção ao Grêmio Coariense, que entrou em 2004, boa parte dos clubes ingressantes a partir de 2008 até 2014 eram equipes tradicionais do amadorismo, que foram estimuladas a se profissionalizar com o retorno da Segunda Divisão. Um outro perfil é de clubes fundados do zero, sem história anterior, sendo o Iranduba o primeiro com este perfil a surgir. Seguindo essa lógica, podemos dividir:
* O Grêmio Coariense foi fundado em 1977 e tinha um grande histórico no futebol amador de Coarí, onde surgiu como Grêmio Atlético Industrial. Seu ingresso no estadual se deu logo após o sucesso obtido na Copa Integração de 2003, um torneio que reunia clubes profissionais e amadores (tivemos por exemplo, o Corinthians de Parintins e o time da Moto Honda, que chegou a excursionar pelo interior).
* Clubes com história no futebol amador, estimulados pelo retorno da Segunda Divisão: Holanda, CEPE, CDC Manicoré, ASA, Compensão, Operário, Tarumã, Nacional de Borba e Unidos do Alvorada. Vale ressaltar que embora muitos deles apresentem CNPJ referente ao ingresso na federação, todos eles existiam há um tempo bem maior. São clubes que, embora tenham obtido algum sucesso, eram mais modestos que o grupo a seguir, e a maioria teve curta vida no profissionalismo.
* Clubes fundados do zero, com uma suposta metodologia diferenciada: Iranduba, Manaus (após o sucesso deste, um novo estimulo trouxe um "boom" desses clubes "zerados"), Amazonas, JC, Manauara e Parintins. Todos esses clubes eram ligados a empresários ou políticos, surgindo com um investimento acima da média (com Iranduba e JC investindo mais em futebol feminino). Embalados nessa onda, temos alguns clubes que nasceram com a mesma proposta mas que estão há alguns anos estagnados na 2ª divisão.

Num período de 40 anos, tivemos 13 clubes se profissionalizando, e nos 20 que seguiram (metade do tempo), outros 16 participaram. A diferença mais marcante é que os clubes que ingressaram nos primeiros 40 anos tiveram vida mais longa participando do estadual.

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