Nacional vence Náutico de virada, pelo Módulo Amarelo, em 2000
A Volta ao Segundo Nível Nacional
Em 2000, o Nacional disputou o Módulo Amarelo da Copa João Havelange. Esse módulo pode ser considerado equivalente à Série B do futebol brasileiro naquela temporada, embora, oficialmente, a Copa João Havelange tenha sido organizada como um único campeonato, dividido em módulos, e não em divisões formais. Os clubes que não obtiveram o acesso permaneceram aptos a disputar a Série B do ano seguinte.
A última participação do Nacional na Série B, até então, havia ocorrido em 1989. O “Leão da Vila Municipal” deveria ter retornado à competição em 1993, após conquistar o acesso por meio da 3ª Divisão em 1992 — denominada, naquele ano, Série B. Contudo, em razão de diversas manobras administrativas, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) acabou por extinguir a Segunda Divisão naquela temporada.
A virada contra o Náutico
Na competição, o “Clube da Estrela Azul” não realizou uma campanha de grande destaque; contudo, algumas partidas ficaram marcadas em sua história, entre elas a vitória de virada sobre o Náutico, de Recife. Naquele confronto, o “Leão” esteve em desvantagem por 2 a 0 até os 24 minutos do segundo tempo, mas reagiu de forma notável e conseguiu reverter o placar.
O primeiro tempo terminou empatado em 0 a 0. O Náutico iniciou a partida com maior intensidade, enquanto o Nacional passou a dominar as ações ao longo da etapa inicial, embora sem conseguir transformar o volume de jogo em gols.
No início do segundo tempo, o técnico nacionalino Mirandinha optou por manter dois volantes — Douglas e Agnaldo — e insistiu na permanência de Ewerton, que não vinha tendo bom desempenho.
Com essa configuração, o Náutico passou a controlar o meio-campo, enquanto o Nacional buscava explorar os contra-ataques, principalmente com Aílton. Foi justamente em uma falha de Ewerton que surgiu o primeiro gol da equipe pernambucana, aos dois minutos da etapa final, marcado por Jorge Luís. Após o erro, Mirandinha substituiu Ewerton por Dorgival.
A mudança quase surtiu efeito imediato. Aos 12 minutos, em uma triangulação envolvendo Dorgival, Dedé e Garanha, o Nacional esteve muito próximo do empate. A equipe passou a pressionar intensamente a defesa adversária, mas sofreu um duro golpe aos 20 minutos, quando Jorge Luís marcou novamente para o Náutico, ampliando a vantagem.
Pouco depois, aos 24 minutos do segundo tempo, iniciou-se a grande reviravolta. Em cobrança precisa de falta, Dedé descontou para o Nacional. Empurrada pela reação da equipe, a torcida passou a pedir a entrada de Cisco, prontamente atendida por Mirandinha. O atacante entrou em campo e passou a causar constantes dificuldades à defesa adversária, até marcar o gol de empate aos 35 minutos. Aos 41, consumou-se a virada heroica, com Garanha balançando as redes e selando uma das vitórias mais emblemáticas do clube.
| Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica |
Boa estreia e sequência de Mirandinha
| Jogador do ABC tenta parar Dedé. (Foto: Raimundo Valentim) |
Nacional x Náutico era o segundo jogo do técnico Mirandinha, na época com 41 anos. Na estreia dele, o Nacional bateu o ABC, também em Manaus, pelo placar de 4x1. O "clube da estrela azul" fez uma sequência de 5 jogos sem perder, que seguiu com um empate em 1x1 com o Serra-ES (fora), vitória por 5x4 contra o São Raimundo (em Manaus) e 1x0 contra o Paysandu (Manaus), mostrando um bom trabalho inicial de Mirandinha. Depois disso, a campanha novamente desandou, com a equipe vencendo apenas 1 dos últimos 6 jogos (4x2 América-RN).
| Mirandinha observado por Airton (de colete), artilheiro do time. Foto: João Pinduca Rodrigues |
Dados do Jogo
- 30 de Agosto de 2000
- Estádio Vivaldo Lima (Quarta-feira a noite) - 4.847 torcedores pagantes
- Árbitro - Etevaldo Batista Araújo (DF)
- Gols - Jorge Luís (2², 20²) para o Náutico; Dedé (24²), Cisco (35²) e Garanha (41²) para o Nacional
- Nacional - Flávio; Sérgio, Capitão, Camilo e Rogério Tatu; Douglas, Agnaldo (Cisco), Dedé e Ewerton (Dorgival); Aílton e Garanha (Carlinhos). Técnico: Mirandinha.
- Náutico - Ney; Chininha, Luciano, Alex e Paulo César; Fábio, Léo, Edson (Creisler) e Marlon (Renatinho); Jorge Luís (Moisés) e Stênio. Técnico: Ademir Muller.
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